O estudo do Eneagrama me proporcionou múltiplos momentos de reflexão sobre a minha vida. Este saber, o qual nunca imaginei existir, contribuiu muito para meu crescimento como ser humano, estudante e profissional. Através deste conhecimento, consegui definir a minha personalidade. Analisando assim, a minha infância e adolescência.
Durante a minha infância brinquei bastante em casa, tive muitos brinquedos, fui muito amada por mainha, vô e familiares. Não conseguia brincar na rua durante muito tempo, pois tinha muito medo de deixar meus pais sozinhos. Meu pai sempre foi alcoólatra e continua sendo. Arranjava mulheres, gastava o dinheiro, chegava na maioria das vezes bêbado em casa. Meu avô, amor da minha vida, sempre nos ajudou em tudo, financeiramente e sentimentalmente. Vô era meu protetor, meu pai do coração. Não deixava nada nos faltar
Fui crescendo, e sempre procurei suprir o amor que meu pai não dava a mainha e aos meus irmãos. Quando meu pai brigava com mainha, eu ficava assustada, com muito medo. Mas ao longo do tempo isto mudou. Então, passei a me colocar a frente da minha mãe, e ele acabava me batendo, quebrou cabo de vassoura em minhas costas, jogou um garrafão de 20L de água, cheio, em mim, queria quebrar um prato na cabeça da minha irmã. Tenho quatro irmãos, mas um nunca morou conosco, não presenciava esses episódios.
Na escola sempre fui boa aluna, geralmente o destaque da sala. Sempre fui o motivo de orgulho para minha mãe. Porém, só ficava na escola se minha mãe ficasse. Sentia um medo tão grande e sempre chorava ao chegar na escola. Todavia, mainha ficava toda a manhã na escola, esperando a aula terminar. Quando ela conseguiu um emprego depois de muito penar, já estava me adaptando a ir a escola sem ela. Ao chegar da escola dava conta de tudo, das minha irmãs e de outras responsabilidades. Queria tudo organizado, nunca gostei de bagunça.
No período da adolescência mudou muita coisa em nossa vida. Vivíamos de aluguel, depois ganhamos uma casa, que vô nos deu, mas, a casa após dez anos teve que ser vendida, voltamos então a morar de aluguel novamente. Meu pai passou a beber cada vez mais, arranjou uma mulher e dois filhos. No entanto não os assumiu. Em 2005, meu vô muito amado, o qual nos ajudava, faleceu. Mainha sofreu uma grave queimadura em todo o rosto, meu pai enlouqueceu. Ele não nos deixava dormir, via bichos por toda a casa, queimou a Bíblia, perdeu um pouco dos sentidos, passou seis meses sem andar, mas graças a Deus recuperou-se.
Quando estava neste tormento , todos sofriam com a situação. Nesse período, estava cursando o 3º ano do ensino médio. Chegava na sala de aula sempre abatida. Ficamos oito meses sem energia, mas mesmo assim eu estudava. A noite ficava estudando a luz de velas ou na luz do poste, na calçada. Fiz vestibular para medicina, e enfermagem tentei duas vezes, fiquei nos classificáveis. Tive a oportunidade de cursar Direito, Enfermagem ou Administração, através do ENEM, pois ganhei bolsas. No entanto não pude cursar, mainha estava doente e também não tinha condições financeiras para se manter em outra cidade.
Após a morte de meu avô, tivemos que nos manter sozinhos. Nesta fase até os vizinhos nos ajudaram. Em 13 de maio de 2005 consegui meu primeiro emprego, em uma escola, ganhando R$ 120,00. Fomos nos mantendo. As coisas foram melhorando, meu irmão conseguiu um emprego e fomos nos mantendo como dava. Minha mãe adoeceu novamente, por conseqüência de uma tentativa de estrangulamento ocasionada por meu pai, quando ela estava a dormir conosco no quarto. Ela sofreu uma paralisia facial, perdendo 80% da visão e ficando totalmente estrábica.
Após meses de fisioterapia ela recuperou 70% da visão e continuou sua luta. Não foi possível a permanência do meu pai em casa. Ele foi morar com minha vó, mas nunca deixamos de lhe dá assistência. Em 2008 mainha entrou em depressão e início de síndrome do pânico. Acompanho o tratamento dela desde o início até hoje. Minhas irmãs são amorosas, no entanto preguiçosas, mas dão trabalho, só os rapazes que as vezes nos dão dor de cabeça. Neste mesmo ano sofri dois acidentes de moto e tenho marcas até hoje. Neste ano também passei no vestibular para Fisioterapia, mas não pude cursar.
Em 2009, passei numa universidade pública, curso Pedagogia, gosto e atuo na área a seis anos. Neste mesmo ano minha avó faleceu de forma trágica. Fui vítima de um incêndio, sofrendo graves queimaduras em 50% do corpo, todo lado esquerdo. Esta situação nos abalou muito, mas continuamos a nossa luta. Gosto de fazer de tudo um pouco, sou professora, boleira, decoradora, agente social, educadora social, canto, danço e sou voluntária. Já passei em concurso, mas não fui convocada. No entanto não me canso de tentar.
Após várias reflexões, ainda me restavam dúvidas a respeito do meu tipo de personalidade. Logo no início da apresentação dos tipos, me identifiquei muito com o tipo seis, pois, lembro muito das coisas negativas do meu passado, cumpro com meu dever, fujo de atitudes erradas e sinto muito medo. Porém sempre que recebo uma ordem, reflito antes de agir.
O tipo dois me chamou atenção, porque sou uma pessoa que me adapto facilmente a tudo, gosto muito de ajudar o próximo, dou conselhos, tenho medo de dizer não, pois, me sinto mal. Mas, não bajulo, não espero algo em troca. Quando o tipo nove foi apresentado, pensei que ali era minha personalidade. Não gosto de conflitos, fico satisfeita com qualquer coisa, não exijo muito em material. Contudo, não sou preguiçosa, nem tão pouco acomodada.
Já estava impaciente, pois não conseguia determinar minha personalidade. Quando estudei um pouco mais o tipo um, comecei a rir, em outros momentos angustiada, mas ali realmente era minha personalidade. Minha mãe, quando me reclama diz sempre, que a perfeição está no céu. É, realmente está, mas sou assim, me critico, me culpo, cobro muito de mim e acabo cobrando dos outros. Fico impaciente com indivíduos preguiçosos, me esforço muito, para corrigir meus defeitos, me preocupo com tudo e todos. Tenho uma grande dificuldade de relaxar, descontrair e ficar alegre. Sou realmente o tipo um, com as asas nove e dois, um pouco desenvolvidas. Sinto hoje, após esse estudo que preciso mudar muito, em vários aspectos.
NOME: FABRÍCIA AGAPTO BEZERRA DE ALMEIDA
CIDADE: CRATO
IDADE: 23 ANOS
quinta-feira, 23 de junho de 2011
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